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entre nós #6 - conheça nossos autores
Vanessa Ionara

Natural do interior da Bahia e leitora ávida desde a infância, Vanessa tem como gênero favorito os romances, especialmente os clássicos da literatura brasileira.
A escrita, inicialmente tomada como forma de auto expressão, hoje é um caminho possível para partilhar os mundos (únicos e peculiares) que existem em cada um de nós. A autora caracteriza-se por uma escrita interessada na diversidade e complexidade das relações humanas, ressaltando perspectivas femininas sobre a vida.
Sua trajetória literária já inclui outras participações em concursos da Editora Typus. Como você percebe a evolução da sua escrita ao longo dessas experiências?
A escrita começa como ferramenta de auto expressão e se expande como meio formar e informar, apresentar perspectivas e compor repertórios de mundo. As avaliações da Typus, extremamente sensíveis e profissionais, me conferiram mais segurança.
Cada texto tem sua própria história antes de chegar a um concurso literário. O que fez você decidir que A Feira seria a obra escolhida para participar desta edição do PLOVT?
A Feira apresenta uma série de interseccionalidades, revelando de forma sensível um jeito de ser e estar no mundo, que é profundo, mas volátil: o futuro é imprevisível. É um texto muito querido que, desde pronto, pedia para ser compartilhado.
Depois de chegar à final do prêmio, seu conto conquistou o segundo lugar na Votação Aberta. Como foi receber esse reconhecimento diretamente do público?
Foi uma alegria. O reconhecimento do público estimula, empolga e alimenta o desejo de continuar escrevendo. É muito bacana ouvir os feedbacks e descobrir como o nosso olhar emociona, impacta e provoca as pessoas, os leitores.
Em A Feira, acompanhamos um dia na vida de Lúcia, uma feirante cuja rotina revela uma trajetória marcada por afetos, desafios e lembranças. Como nasceu essa personagem?
Lúcia nasce de uma postura atenta ao cotidiano. Nasce da observação dos modos de ser de muitas mulheres que cruzaram o meu caminho ao longo dos meus trinta e três anos. Ela é o resumo da força, da perspicácia, da fé e da beleza que vi em muita gente.
Feira de Santana e as referências culturais do Recôncavo Baiano têm uma presença importante na narrativa. Qual é a sua relação com esses lugares e como eles influenciaram a construção do conto?
Morei no Recôncavo (Cachoeira) por cinco anos e foi uma experiência que me possibilitou crescer muito, em vários aspectos. Hoje, moro em Feira (a 55 km) e percebo várias similaridades culturais, acho que foi uma conexão muito espontânea.
Ao longo da história, Lúcia recorda experiências de maternidade, trabalho, preconceito e convivência comunitária. Como você trabalhou essas diferentes dimensões para construir a identidade da protagonista?
Enquanto socióloga, pesquiso a categoria identidade(s) há anos, considerando a diversidade brasileira e as intersecções possíveis. Vejo o trabalho de constituição da Lúcia como uma trança, que permeia e une experiências e caminhos que percorri.
O desfecho de A Feira transforma uma despedida silenciosa em uma reflexão sobre a presença que deixamos na vida dos outros. O que você gostaria que os leitores levassem consigo depois de conhecer a história de Lúcia?
A importância do cuidado que devemos ter ao tocar o mundo do outro e a reflexão de que o amanhã é uma possibilidade, e não uma certeza: a vida é hoje.
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